terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Agora ex.

Há 3 anos, em um momento conturbado na militância e na vida pessoal  assumi a presidência da gloriosa União da Juventude Socialista de Santa Cruz do Capibaribe. Eu tinha pouca experiência, dúvidas mil, e ao meu lado um time de grandes militantes. A tarefa veio e com ela a decisão de me entregar ao máximo. Ao cotidiano já corrido, acrescentei horas a mais de estudo dos documentos e textos do partido e me estabeleci um ritual matinal de chá, economia e política.
No caminho de altos e baixos, enquanto encontrava os desafios já esperados, muitas águas rolaram e, lentamente, talvez até sem perceber, eu me despedi da Iana que havia em mim. Durante a plenária que elegeu o amigo e camarada de militância, Paulinho Coelho, um pequeno filme passou por minha cabeça, acompanhado da percepção do quanto eu havia aprendido. E senti orgulho, confiança e uma já pontinha de nostalgia de tudo que vivi e aprendi.
Pelas mudanças ocorridas em virtude da tarefa era difícil me dissociar dela. Ser presidente da UJS me definia tão bem que hoje, quando acordo pela primeira vez sendo ex-presidente, fui tomada por uma estranheza de mim mesma. A estranheza passou com as palavras de Tiago Oliveira, ao me dizer com a experiência de quem foi tanto e por tanto tempo, que ex é pra sempre.
Agora me olho no espelho e a Iana que me sorri de volta é quase uma estranha para a menina daquela tarde chuvosa de Março de2009. A que me sorri, é agora tesoureira da União dos Estudantes de Pernambuco, presidente do PCdoB Santa Cruz do Capibaribe e ex-presidente da União da Juventude Socialista, com muito orgulho.
Aguardo então, vir o cotidiano novo, e a dor e a delícia de ser quem agora sou.

sábado, 22 de outubro de 2011

Culto ao sentir


Em momentos de mudanças bruscas como essa a impressão é que meu corpo todo passa a sentir. Sinto tudo em dobro e por completo. Todas as emoções que me tomam, outrora tão contidas, tão equilibradas, se tornam agora uma onda que me atinge em toda a sua imponência. É isso. Tudo nessa cidade e nessa nova vida se impõem: o ritmo frenético, as divergências, a aspereza de toda metrópole. Mas é inevitável ao fim do dia, junto com a melancolia que me toma, reconhecer agradecida que o recifense é um grande acolhedor, e me permitir voltar pra casa com um certo ar de encantamento, achando graça e beleza nas ruas de nome de poesia.