sexta-feira, 11 de maio de 2012

Da retomada - Entre encontros e despedidas

O cotidiano agitado tem nos últimos tempos abafado os sentidos que latejam em mim e por hora padeço de saudade de olhar o mundo com a intensidade de quem deseja saber mais do que os seus vinte e poucos anos. Na última semana de março me decretei férias, e é incrível como sete dias foram capazes de reconfigurar as engrenagens adormecidas da minha alma.

A capital paraibana retomou o frio na barriga de se expor ao julgamento de quem é referência naquilo que se julga importante, o êxtase do caminho novo que desponta no horizonte, e aquela sensação tão peculiar de que há sentimentos e pessoas que o tempo e a distância não conseguem modificar. Rever e ser recebida pelo amigo de tanto tempo, Décio Raniere, e perceber que apesar de tantas mudanças, minhas e dele, o conforto de estar junto se mantém vivo reafirma a doçura que pode e deve ter a vida, resumida na constatação de fim de noite: " Sinto sua falta". Eu sempre vou sentir.

O Rio Grande do Norte por sua vez emoldurou com belezas explêndidas cada nuance de minhas intensidades. A satisfação e a calma de ter meses de paciente espera aplacados em dias de memórias infinitas, a celebração das coincidências da vida que permitiram conhecer amigos de luta em um café da manhã não planejado, a tão distante sensação de paz nos muros do Forte e o explorar noturno da vida de uma rua deslocada das redondezas. 

No caminho de volta, pela janela do carro havia a percepção de ter apreendido e guardado em cada canto de memória a doçura dos dias vividos em cheiros, cores e sabores tão diversos. Em tempos de cotidiano sem significado, me redescobrir capaz de sentir como antes foi de fato, transitar entre dois lados. Dois lados de mim mesma : o que cria raízes e estabelece meus limites, e esse outro tão novo e desconhecido, que trocaria grandes parcelas de segurança pelo reviver de um amanhecer adocicado.

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